Sexta-Feira 05/06/2020 12:57

Da falsa modéstia

Estado - Opinião - esportes

                Por Agnaldo Holanda*

 

Há alguns dias, o Brasil alardeava a notícia de que o jogador Neymar Júnior era um dos três jogadores do mundo concorrendo à bola de ouro – concorria com o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo (conhecido pela sigla CR7). Muito bem, uma glória para o país, que parece ter no futebol uma de suas bases morais, ideológicas e até financeiras, se brincar. Mas vamos ao ponto: a mídia toda parece ter se impregnado daquele discurso que Neymar Jr., orientado por Neymar pai, não se cansa de papagaiar tentando melhorar ainda mais a boa imagem do menino, imagem de pessoa modesta – e por consequência o seu valor de mercado no universo do futebol.

Os jornais, as rádios, as TVs... estavam todos naquele “clima neymar”: “OI Messi é o melhor do mundo... O Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo... Mas o Neymar pode ser uma surpresa...”. Ora bolas! Será que alguém acreditava, ou não, que o brasileiro pudesse ser eleito o melhor do mundo por seu desempenho durante o ano de 2015? Pareciam todos seguindo as recomendações de Neymar pai, “Filho, não mostre arrogância, filho; nunca diga que vai ganhar um jogo, mesmo que seu time seja a seleção principal do Barcelona jogando contra os reservas do 15 de Piracicaba”.

Veio então a decisão, e quem levou a bola de ouro foi... o Messi! Era de se esperar que o brasileiro demonstrasse um mínimo de frustração. Afinal, quem não gostaria de alcançar essa glória, atuando no universo futebolístico? Vejam, leitor e leitora, o caso dos atletas que participam das Olimpíadas: o sujeito perde e via lá, diante das câmeras, dizer que fez o possível, que se esforçou ao máximo, mas que infelizmente não foi dessa vez, que está triste por ter perdido o páreo e blá-blá-blá. Mas o que fez Neymar?

Ele abriu um sorriso de orelha a orelha e foi lá, diante das câmeras, dizer que estava muito feliz pela conquista do colega de time. Nas palavras dele, em uma de suas páginas nas redes sociais: "Irmão, é uma honra para mim poder desfrutar ao seu lado no campo e agora no palco. Você é grande e é o meu ídolo". Neymar anotou isso como legenda de uma imagem em que aparece ao lado de Messi: o argentino está segurando a cobiçada Bola de Ouro, enquanto ele, Neymar, carrega o seu troféu da seleção dos melhores da FIFA. Na imagem dá pra ver a diferença “palpável” do reconhecimento, da premiação.

 Legenda: Observe o sorriso amarelo do brasileiro, e o aparente olhar desconcertado do argentino.

 

Bom, não dá pra saber do que o brasileiro está insinuando que desfruta – jogador de futebol costuma ir pouco à escola mesmo e a falha na redação está perdoada. Mas não sei se há de fato alguém que acredite nessa balela de feliz pelo ídolo, e nem sei também qual a utilidade dessa falsa modéstia.

Parece mais é um ritual que a sociedade vem criando. O mesmo ocorre nos concursos de beleza, por exemplo os de misses. Estão lá cinco garotas belíssimas, disputando o título de mais bela da cidade, mais bela do país, mais bela do mundo. O apresentador do evento dá o resultado, uma ganhou, as outras quatro perderam. Mas elas não podem mostrar nenhum descontentamento! Não podem ser humanas. Os organizadores do evento forçam todas a permanecer ali, observando a glória alheia, e nesse momento elas esboçam sorrisos como se acabassem de ganhar sozinhas na Mega Sena um prêmio acumulado. Muito cinismo, muita falsidade e fingimento, ao menos é o que penso sobre tudo isso.

Uma área “esportiva” que ainda parece livre dessa falsidade toda é a de lutas. Quem já era no mínimo criança ao tempo da queda do muro de Berlim pôde acompanhar, por exemplo, as declarações que boxeadores como Mike Tyson faziam antes dos combates. “Vou arrebentar com a cara dele, fazê-lo se arrepender de ter vindo ao mundo”, ou coisas mais ou menos assim. Não havia essa história de falsa modéstia; o sujeito estava lá para ganhar.

Eis aqui as falas dos “boxeadores” dos tempos atuais, de dois lutadores de MMA, ou Artes Marciais Mistas. Isso é de antes da luta, do evento ocorrido em outubro de 2015:

– Acho que a mãe dele nunca lhe deu um tapa na cara, por isso ele é assim. Então eu vou ser o pai dele no sábado. Depois da luta ele terá que ficar calado. Eu vou mandá-lo calar a boca, e vou dizer que ele não tem que falar mais nada, porque eu ganhei a luta. – Quem falou isso foi um brasileiro, Diego Brandão, provocando o adversário antes do UFC Dublin.

 

Legenda: Conor McGregor e Diego Brandão quase brigaram após a pesagem do UFC Dublin – nada de falsa modéstia.

 

Tudo bem, leitor e leitora. Sei que muita gente vai me criticar aqui nesse ponto. A fala do lutador não foi nada “exemplar”. Afinal, por trás dessa falsa modéstia que existe hoje estão sabedorias acumuladas em frases feitas como “O importante é competir”, repetidas e reiteradas para aprendizado de nossas crianças. Ok. Escondam por favor essas minhas linhas das crianças que estiverem por perto, privem-nas desses maus conselhos.

Mas o quero mesmo dizer é que, quando o indivíduo entra em uma disputa, seja para receber uma premiação da escola, seja para receber um título mundial, o que ele quer mesmo é ganhar. E não conheço ninguém que goste de sair distribuindo sorrisos amarelos – ou será que o Neymar faz parte de uma nova “safra” da humanidade e sou eu que me equivoco?

 

* Formado em Letras Clássicas pela USP, escreve e lê por gosto e ofício: atua como redator e editor. Contato: agnaldoholanda@gmail.com

Folha Integração/ Revista Isturdia

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